19 de novembro de 2020
O Tracking Difference do Voyager para o HDAI
Por João Marco Braga da Cunha
 
 
 
Para entendermos a diferença de performance do Voyager em relação ao HDAI em reais, precisamos, em primeiro lugar equalizar a precificação usada no índice e no nosso fundo offshore, o HDAIF. Já convertidos para BRL, o nosso fundo offshore rendeu 204,5% contra 212,4% do índice até o dia 16/11/20. A diferença de quase oito pontos percentuais é devido, principalmente aos custos do fundo e a uma parcela de cerca de 1% deixada em caixa para fazer frente a despesas e resgates. Ainda assim, a rentabilidade do HDAIF é maior que a do Voyager, de cerca de 192%. Desses doze pontos percentuais de diferença, mais de dez pontos podem ser atribuídos ao fato de o Voyager manter uma parcela de cerca de 3% em caixa e títulos públicos para garantir o prazo média e para fazer frente a despesas operacionais e resgates. Mais de dois pontos são devidos à taxa de administração de 1%.
 
É importante levar em consideração que a alta rentabilidade amplifica o impacto de qualquer diferença causada por custos e desalocação. Para entender esse fenômeno, podemos considerar um fundo hipotético que segue um índice que rendeu 200% em um ano. Como o fundo totalmente alocado e sem custos, o rendimento do fundo é igual ao do índice:
 
Quando, porém, um pequena parcela - digamos 3% - é alocada em caixa, a diferença entre os resultados do fundo e do índice já supera os 9%:
 
Colocando-se uma taxa de administração de 2%, a diferença salta mais de 5 pontos percentuais para 14,6%.
Apenas como comparação, com o índice rendendo 20%, a diferença para a rentabilidade do fundo fica abaixo de 3%:
 
Esse sequência de exemplos hipotéticos ajuda a explicar porque a diferença entre o Voyager e o HDAI em reais atingiu os valores que vemos hoje.