Artigos e Opiniões
06 de agosto de 2020
Goldman anuncia novo Head de Ativos digitais em um aposta de que Blockchain é o Futuro da Tecnologia.

Segundo a CNBC o Goldman Sachs está renovando suas expectativas para o futuro digital de Wall Street O banco anunciou Mathew McDermott, ex-diretor administrativo da área de Investment Bank, como novo Chefe Global de ativos digitais 

 A nomeação significa que o mais novo rosto de blockchain e criptomoeda em Wall Street  não é um ingênuo evangelista de bitcoin, tampouco um ostensivo fundador de start-ups.  Do contrario, ele é um veterano nos mercados financeiros da velha guarda. McDermott entra para substituir Justin Schmidt, um ex-trader de cripto -e quant-formado no MIT que estava à frente da equipe de ativos digitais da Goldman desde 2018. 

 McDermott, baseado em Londres, tem uma previsão radical para os mercados: Um futuro em que todos os ativos financeiros existentes residam em tokens eletrônicos, substituindo os processos que requerem  esquadrões de banqueiros e advogados, como, por exemplo, ofertas públicas iniciais e emissões de dívidas, que devem ser amplamente automatizadas.  

"Nos próximos cinco a 10 anos, você poderá ver um sistema financeiro onde todos os ativos e passivos serão originados em uma blockchain, com todas as transações ocorrendo nativamente na cadeia", disse McDermott em entrevista. "Então, o que você faz, hoje, no mundo físico, você estará fazendo digitalmente, aumentando exponencialmente a eficiência. E isso pode ser emissão de dívida, securitização, originação de empréstimos; essencialmente, você terá um ecossistema de mercados financeiros digitais, as opções são bastante vastas." 

 Os movimentos do Goldman Sachs são observados minuciosamente pelos adeptos de blockchain e cripto, visto que os defensores de tal aparato tecnológico utilizam as decisões do banco para endossar uma adoção mais ampla da tecnologia. Recentemente, o banco provocou a ira dos gêmeos Winklevoss, co-fundadores da exchange de criptomoedas Gemini, devido à publicação de um relatório afirmando que o bitcoin não é uma classe de ativos. 

 À medida que a cobertura da mídia e os ânimos acalmam sobre esse reporte, ,  surgem indícios da crescente convicção entre líderes empresariais de que os tokens distribuídos, incluindo blockchain, terão um impacto real, de acordo com uma pesquisa global publicada pela Deloitte. 

Na Goldman, McDermott está dobrando seu  time de funcionários com contratações na Ásia e na Europa. Além disso, ele atraiu um nome de peso que trabalhava em um significativo concorrente: o Chefe de Estratégia de Ativos Digitais do JPMorgan, Oli Harris. 

Harris esteve envolvido no JPM Coin, a primeira moeda digital de um grande banco lançado no ano passado, com o objetivo de ajudar a perturbar o setor global de pagamentos. Ele foi o vice-presidente encarregado do Quorum, plataforma blockchain baseada no ethereum que sustenta o JPM Coin.  

Em sua primeira entrevista como chefe de ativos digitais, McDermott afirmou ter tanto objetivos de curto prazo, quanto projetos mais ambiciosos. Triatleta pragmático e competitivo, ele acredita que suas metas sejam realizáveis ​​e tenham claro valor comercial para o Goldman e suas contrapartes.  

Primeiro, está ajudando a estrutura essencial das finanças, como acordos de recompra, conhecido como repo markets, a se tornar digital, disse ele. Os bancos e os hedge funds dependem do financiamento a curto prazo para operações diárias e para mais de US $ 1 trilhão, que normalmente circula todos os dias pelo mercado. 

O executivo está analisando como, futuramente, a tecnologia token pode ser usada nos mercados de crédito, hipoteca e até mesmo a possibilidade de que os mercados de negociação possam eventualmente migrar para o formato. 

É crucial para efetivar qualquer um desses esforços, contudo, o consenso com outros bancos, investidores institucionais e reguladores. Segundo Mcdermott, a tecnologia só irá decolar quando atingir uma massa significativa de usuários em todo o mundo das finanças. O financista acrescenta, ainda, que os consórcios do setor são o melhor caminho a ser seguido. 

Dada essa abordagem, McDermott diz passar um tempo significativo conversando com outras empresas, incluindo o JPMorgan e o Facebook, recentemente atualizou sua estratégia com criptomoedas para apaziguar os reguladores. 

Ele sugeriu, ademais, que um dos projetos do Goldman conta com a colaboração do JPMorgan, e sobre como os esforços tecnológicos dos dois bancos poderiam trabalhar juntos. O JPMorgan criou a JPM Coin, atrelada ao dólar americano, para pagar pelas transações que migram para o blockchain. 

O Goldman está, também, examinando a possibilidade de criar sua própria moeda digital, McDermott disse: "Estamos explorando a viabilidade comercial de criar nosso próprio token digital fiduciário, mas ainda é cedo, pois continuamos trabalhando nos possíveis casos de uso". 

Se McDermott obtiver sucesso no cargo, toda a natureza de um lucrativo ecossistema de banqueiros, advogados e membros do back office será revertida para sempre. Ele não se esquiva das possíveis consequências. 

"A resposta honesta é, claro que, com qualquer avanço tecnológico, haverá uma interrupção no status quo existente", disse ele. Ele citou como exemplo empresas custodiantes, que estão abraçando ativamente o futuro investindo em projetos de blockchain.

Embora McDermott admita possuir, pessoalmente, alguma criptomoeda, ele fez uma observação que provavelmente provocará aplausos no mundo das criptomoedas.  Desde o boom do bitcoin, há alguns anos, o interesse nessa classe de ativos vem migrando do varejo   para grandes instituições, disse ele. 

Vimos, definitivamente, um aumento de interesse por parte de nossos clientes institucionais, que agora estão começando a explorar como podem participar desse espaço", disse ele. "Definitivamente parece que há um ressurgimento do interesse em criptomoedas."